O primeiro escritor de ficção científica 17, Maio, 2008
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Entre os leitores do gênero, com certeza a resposta a essa pergunta pode causar polêmica. A lista de candidatos é bem grande, então temos que colocar algumas condições.
Condição número um:
O escritor deve ser “especialista” em ficção científica. Ou seja, deve dedicar-se exclusivamente à esse tipo de estória.
Condição número dois:
O escritor deve sobreviver das suas obras, como profissional.
Resolvido essas duas proposições, chegamos ao nosso eleito. Estou falando de Júlio Verne, nascido em Nantes, na França, em 8 de fevereiro de 1828. E apesar de ser formado em direito, não exercia a profissão. Escreveu estórias e peças de outros gêneros e trabalhava como corretor de títulos antes de começar a ganhar a vida como escritor de FC. A tempo, ele não cunhou a palavra ficção científica, e apesar disso, especializou-se nela.
Em 1863 escreveu o livro “Cinco Semanas num Balão”. Foi um sucesso tremendo. Depois dessa obra, ele deslanchou como escritor profissional, ganhou fama mundial e escreveu vários livros de viagens fantásticas, sempre seguindo o gênero de aventuras e tecnologia. Ganhou tanto dinheiro que a cabo de alguns anos comprou um barco de oitenta toneladas, usado para diversão.
Depois de navegar e conhecer o mar muito melhor do que antes, escreveu outro sucesso sem limites, o livro “Vinte Mil Léguas Submarinas”. Esse livro foi publicado em 1873, e vários submarinos, no futuro, ganharam o nome do submarino da aventura de Júlio Verne, que se chamava Nautilus.
E, para finalizar, Asimov fala sobre esse e muitos outros escritores no livro “No Mundo da Ficção Científica“, que tive a sorte de encontrar -nunca lido – à venda num sebo.
Para saber mais:
Júlio Verne
Isaac, sobre a falsa ficção científica 30, Março, 2008
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Asimov e outros cientistas/escritores consideravam que a ficção científica deve seguir uma ordem realística em termos da física, da química e da biologia. A verdadeira ficção científica tem a característica de não extrapolar as estórias para além do que é fisicamente impossível. Sempre existiu escritores de ficção científica que não sabiam nada de ciência, o que leva a estória seguir uma linha pobre em termos científicos.
Abaixo coloquei uma transcrição de algo que Simov escreveu sobre isso na sua revista, a “Isaac Asimov Magazine”.
“Quando comecei a escrever ficção científica, era o menor e mais humilde ramo da literatura barata e já considerada um gênero subliterário. Isso não me incomodava. prezava-a como o trabalho mais nobre da humanidade; se os outros não concordavam comigo, pior para eles. Mas havia muitos autores e críticos que se aborreciam com isso e não queriam ser associados a uma coisa tão prosaica. Eram aristocratas por natureza, suponho, e gostrariam de ser tratados como gênios. Em conseqüência, surgiu uma lenda que dizia que antigamente a ficção científica era uma forma respeitável de literatura, praticada por todos os grandes escritores… Foi então que apareceu um vilão chamado Hugo Gersnback e reuniu e reuniu em torno de si um bando de escribas que produziam o que havia de pior. Besteira!“
Isaac Asimov Magazine nº 1
A maior ironia dessa opinião de Asimov é que o maior prêmio para escritores de ficção científica se chama Hugo Award, em homenagem ao Gersnback.
Para saber mais:
* Hugo Gersnback
Por quê escrever tanto, Asimov? 26, Março, 2008
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Prolífico como era, Isaac Asimov foi indagado muitas vezes sobre sua maneira de ser e sobre a quantidade de obras que já escreveu. Sempre que perguntavam, ele dizia:
1) “Sinto um prazer inocente em fazer isso. Afinal de contas, tenho muita coisa a dizer, e procurar manter tudo comprimido dentro de mim poderia facilmente danificar meus órgãos internos“.
2) “Sou pago para essa atividade e preciso ganhar a vida“.
3) “Estes ensaios são lidos por outros somente de espontânea vontade, de modo que não imponho isso a ninguém contra sua vontade“.
Isaac Asimov
Feliz aniversário, Dr. Asimov 10, Janeiro, 2008
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Isaac Asimov faria aniversário dia 2 de janeiro. Nasceu no ano de 1920, em Petrovichi, na Russia.
O título de doutor foi garimpado com muita dedicação pelo nosso escritor preferido. Num dos livros dele, ele menciona que uma das maiores honras foi a conquista do título de Ph.D, afinal, não é qualquer um que consegue um prefixo destes.
E não foi um Ph.D em química, como a maioria pensa, mas sim em filosofia. O doutorado em química viria depois do mestrado em química. quando passou a lecionar bioquímica na universidade. Dizem que era um excelente professor. Conseguia passar a informação para seus alunos como ninguém. Em alguns dos seus livros incentivava, e muito, o estudo, e demonstrava o quão interessante pode ser o aprendizado. Dizia ele que não havia idade para parar de estudar. A tendência das pessoas a querer parar de estudar quando começam a trabalhar é uma falha na cultura social. Como se estudar fosse um fardo quando na verdade é uma diversão, uma evolução pessoal.
Asimov hoje é lembrado por suas obras de grande sucesso, principalmente ficção científica.
Feliz aniversário, Dr. Asimov, onde quer que esteja!
Aprendendo com Asimov: golfinhos X humanos 16, Novembro, 2007
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Isaac Asimov era um professor excelente. É sabido que seus discursos em sala de aula eram bastante cativantes. Não é à toa, uma vez que ele conhecia com precisão a linha que separava a ciência interessante da entediante. Na verdade, para ele ensinar era uma arte. Passar a informação para frente estava em seu sangue. Carl Sagan mencionou certa vez que Asimov era o maior divulgador vivo da ciência. E se o maior astrônomo do mundo disse isso, devemos considerar com respeito.
De fato, aprendemos muito com os livros do bom doutor. Qualquer livro. Desde livros de ficção científica até livros sobre matemãtica ou assuntos gerais. Vou aqui, de tempos em tempos, algumas coisas que aprendi com o professor, em seus livros.
Certa vez aprendi que o ser humano é a criatura mais inteligente do planeta (óbvio). Mas será que temos o cérebro mais desenvolvido, ou maior? Existem criaturas na face da Terra que tem o cérebro muito maior que o do homem, no entanto a melhor proporção cérebro-corpo é a do homem, neste planeta. Ou quase.
Por exemplo, a baleia azul tem em média um cérebro de 7 kilos, enquanto o cérebro do homem tem 1 kilo e 300 gramas. Ela deveria ser muito mais inteligente que o ser humano. Mas não é, pelo simples motivo que com um corpo tão grande (35 metros), seu cérebro precisa ter toda a atenção voltada para o gerenciamento desse corpo.
Conclusão, o ser humano tem um tamanho de cérebro bem grande para um corpo tão pequeno. E ele é bastante espiralado (verificou-se que a inteligência está associada também a quão espiralado é o cérebro). Ou seja, estamos no topo… ou não?
O golfinho é tido como um animal inteligente. Na verdade demasiadamente inteligente para um animal. Isso se deve ao fato da evolução, claro, e isso levou o seu cérebro a ser maior que o do homem. Além de ser maior em medidas absolutas, é maior na proporção também. E também é mais espiralado! Isso é incrível, pois então os golfinhos é que deveriam estar no topo, eles deveriam ter a tecnologia, eles é que deveriam ser a espécie dominante, e não nós.
Analisando com cuidado veremos que a mesma evolução que deu um cérebro mais avantajado para os golfinhos, os privou de uma forma básica de energia, o fogo. E sem o fogo, eles não poderiam desenvolver uma tecnologia que fosse para nós, reconhecível. Toda essa capacidade que vemos nos golfinhos, e que achamos no máximo engraçadinhos, deve ser apenas a superfície de uma capacidade cerebral extremamente avançada(não em termos tecnológicos). Os golfinhos desenvolveram uma forma de comunicação excepcional que até hoje não foi compreendida pelos seres humanos (se assim fosse, entenderíamos o que eles conversam entre si).
É bem possível que os golfinhos tenham uma capacidade filosófica, uma compreensão da vida que nós nunca sonhamos. Talvez nem tenhamos essa capacidade.
Para saber mais:
* Golfinhos, na Wikipedia
* O cérebro, na Wikipedia
O guia da Bíblia de Isaac Asimov 2, Novembro, 2007
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O bom doutor era agnóstico (ou ateu), porque, como a maioria dos cientistas acha, acreditar em Deus não é uma prerrogativa necessária uma vez que Sua existência não pode ser provada pela ciência, pelo menos até hoje. Na verdade essa discussão é um pouco mais complexa que isso, mas deixemos ela para os especialistas.
A Bíblia, sendo o livro mais vendido do mundo, não podia deixar de ser alvo de estudo do nosso escritor preferido. No texto de apresentação deste blog comentei que ele é o único autor do mundo a ter livros em todas as 10 categorias da Classificação Decimal de Dewey, que é a classificação inventada pelo bibliotecário Melvil Dewey para categoriazar os livros da biblioteca. Hoje é esta a classificação mais usada nas bibliotecas de todo o mundo. As categorias principais são:
000 Computadores, informação e referência geral
100 Filosofia e Psicologia
200 Religião.(Teologia)
300 Ciências Sociais
400 Línguas
500 Ciência Puras
600 Tecnologia. (Ciências Aplicadas)
700 Arte e Lazer
800 Literatura
900 História e Geografia
Ilustrei essa classificação apenas para demonstrar o quão versátil é Asimov. Um dos livros que ele escreveu foi o “Asimov’s Guide to the Bible”, uma obra de 1295 páginas com todo tipo de informação sobre a Bíblia. Um estudo completo sobre o Velho e o Novo Testamento, cobrindo os livros que compôe a Bíblia. É fantástico como Asimov cobre todos os tópicos com destreza e imparcialidade (pelo fato dele ser agnóstico).
Esse livro, que inicialmente eram 2 edições (Velho e Novo Testamento), hoje é vendido em apenas uma, contendo os dois livros. Ainda se encontra esse livro para vender, mas eu só encontrei em sites de livrarias estrangeiras. Não existe versão em português, infelizmente. O mais próxima de nós, brasileiros, é uma versão em espanhol.
Para dar um gostinho da obra, vou transcrever as primeiras 20 linhas do primeiro capítulo,
Genesis
The Bible begins at the logical place – the beginning. The very first verse starts:Genesis 1:1. In the beginning…
The phrase “In the beginning” is a translation of the Hebrew word bereshith. In the case of several of the books of the Bible, the first word is taken as the title of the whole (much as Papal bulls are named for the two Latin words with which they begin.) The Hebrew name of the first book is, there, Bereshith.
The Bible was first translated into another language in the course of the third century B.C. and that other language was Greek. This Greek version was, according to tradition, based on the work of seventy learned scholars, and it is therefore known as the Septuagint, from a Latin word meaning “seventy.”
In the Septuagint, the various books of the Bible were, naturally enough, given Greek names. The Hebrew habit of using the first words as the name was not followed, and descriptive names were used instead.
The first book was named “Genesis”, which means, literally, “coming into being.” It implies a concern with births and beginnings which is appropriate for a book that begins with the creation of heaven and earth.
Asimov’s Guide to the Bible, pg 15
Wings Books
Para saber mais:
* Melvin Dewey e a sua Classificação decimal
A Medida do Universo 28, Outubro, 2007
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O que um neutrino, árvores, catedrais da Europa, o Alaska, o Sistema Solar e a nossa galáxia têm em comum? Muita coisa. A começar que essas e muitas outras coisas são mencionadas no livro “A Medida do Universo” (The Measure of the Universe), editado no Brasil pela “Livraria Francisco Alves Editora S.A.”. Obra-prima que explica com relações e comparações o quão pequenos e grandes nós somos. Mostra como pode existir um universo (de verdade) numa simples célula e como nossa própria galáxia de mais de 200 bilhões de estrelas, é um grão de areia no Universo.
Nesse livro você aprende de tudo, porque para explicar as distâncias, por exemplo, Asimov compara diversos “objetos” desde animais até estrelas e galáxias. Vai do menor elemento conhecido até o maior, explicando o porque de tudo o que é comparado. Uma obra esplendorosa que numa primeira olhada parece um livro de matemática, com suas distâncias e tamanhos, mas que quando você se aprofunda, vê que é um livro que aborda muitos assuntos, como história, biologia, astronomia, física, química, por exemplo, e até um pouquinho de matemática.
Os tópicos envolvidos são:
- A Escada de Comprimento para cima e para baixo.
- A Escada de Área para cima e para baixo.
- A Escada de Volume para cima e para baixo.
- A Escad de Massa para cima e para baixo.
- A Escada de Densidade para cima e para baixo.
- A Escada de Pressão para cima e para baixo.
- A Escada de Tempo para cima e para baixo.
- A Escada de Velocidade para cima e para baixo.
- A Escada de Temperatura para cima e para baixo.
O livro tem 371 páginas e só é encontrado no Brasil em sebos. Repetindo a dica que já passei em outro artigo, procure por “sebos” no Google que você vai achar vários sebos on-line com muitos livros de Asimov à venda.
Boa leitura.
Isaac Asimov on Robots 28, Outubro, 2007
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Isaac Asimov era um cientista. Pensava em seus personagens robóticos como tecnologias que iriam existir realmente, e ele sabia o que isso implicaria de bom e de ruim para a sociedade. Não é a toa que ele numa carta sua, escrita não muito antes de seu falecimento, ele disse: “Nunca vi um robô, mas sempre pensei neles“.
Ele também era um visionário real. Preveu diversas tecnologias que hoje existem, como a robótica e a Internet, por exemplo.
Falando em robótica, tenho aqui um achado no site da Horizon, na BBC de Londres (a Horizon é um programa da BBC que tem como tema a Ciência). São duas partes de uma entrevista em que o bom doutor fala das três leis e do futuro da robótica.
Uma dica, quando clicar em PLAY para ver o vídeo, clique depois em TRANSCRIPT logo abaixo do vídeo. É a transcrição do que ele está dizendo na entrevista. Aproveite o show.
Para quem quer começar a ler Asimov… 11, Outubro, 2007
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Bom, esta é com certeza uma questão que não é tão complicada, uma vez que a grande maioria dos livros do bom doutor são pura adrenalina, quer dizer, tiotimolina…
Ler Asimov é uma aventura sem igual, com suas aventuras e seus romances, suas ficções e sua ciência. Temos um amplo leque de opções e com certeza cada leitor tem suas opiniões. Mas dissertar sobre essas opiniões talvez não ajude o leitor que pretende começar agora no mundo Asimov, portanto darei algumas opções que, tenho certeza, devem ser aprovadas pela comunidade
Para os asimovianos, me perdoem se eu não citar o seu livro preferido. Com mais de 500 obras publicadas, isso não vai ser difícil.
O que você gosta de ler? Livros técnicos? Artigos? Romance? Policial? Ficção científica? Humor? Tem pra todos, podem vir. Cito o incrível livro O INÍCIO E O FIM, uma coletânea feita pelo próprio autor com seus melhores artigos. É um livro excelente para começar a se integrar, pois aborda diversos assuntos totalmente diferentes entre si, então com certeza vai achar vários artigos que lhe serão bastante interessantes. Vai aprender um pouco de história, sociologia, literatura, e vários outros assuntos. Sem falar no conhecimento adquirido, pois é algo que não ocupa espaço e só traz benefícios. Conheça um pouco deste livro nesta matéria do blog Renhas.
Mas se você está ávido por ler uma ficção científica dele, então não há dúvidas. Comece com “FUNDAÇÃO trilogia” ou “Eu, Robô”. FUNDAÇÃO ganhou o prêmio bem merecido de “Melhor série de ficção científica de todos os tempos”. 99% dos asimovianos já o leram, e poucos dão nota abaixo de 11. Alguns dias atrás escrevi um post sobre esse livro.
“Eu, Robô”, é, sem dúvida, o livro mais conhecido dele. Virou até filme (que convenhamos, não chega aos pés do livro e foge totalmente do estilo Asimov). Também é uma coletânea só que de contos relacionados à robôs, sendo as estórias conectadas de uma forma ou de outra, direta ou indiretamente (na maioria das vezes, indiretamente). Isaac é conhecido também por criar as três leis da robótica (que num dos livros que li, ele atribui 50% do mérito à John Campbell Junior, seu editor). São elas:
1ª lei: Um robô não pode fazer mal a um ser humano e nem, por inação, permitir que algum mal lhe aconteça.
2ª lei: Um robô deve obedecer às ordens dos seres humanos, excepto quando estas contrariarem a primeira lei.
3ª lei: Um robô deve proteger a sua integridade física, desde que com isto não contrarie as duas primeiras leis.
E como última dica, se vocês quer ler um livro leve, mas com um conteúdo para lá de inteligente, pegue o livro CIVILIZAÇÕES EXTRATERRENAS. Não é uma ficção. Neste livro Asimov mostra como a vida surgiria em outro planeta, levando em consideração a composição química, gravidade, distância da sua estrela e diversos outros fatores. Você aprende um pouco de física e explica porque é remota, MUITO remota a possibilidade de termos visitantes de outros planetas chegando em espaçonaves. Ganha conhecimentos em astronomia valiosos, e passa a entender de verdade a imensidão do universo (acredite, se você não leu “Civilizações Extraterrenas” nem leu “A Medida do Universo”, você apenas têm uma idéia da coisa.)
Quanto à este último livro que mencionei, sai um pouco do escopo deste artigo, mas em breve falarei dele.
Todos os livros mencionados aqui você encontra para vender em sebos, ou em bibliotecas. “Eu, Robô” e “Fundação trilogia” ainda são impressos, sendo encontrados também em livrarias. Procure por “Sebos” na internet e você achará várias opções.
Boa leitura.
O doutorado de Isaac Asimov 17, Setembro, 2007
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Esse evento marcante aconteceu em circunstâncias bem incomuns.
Em 1947 ele ele estava trabalhando numa pesquisa para o seu Ph.D. e estava meio incerto do enfoque que deveria dar na sua dissertação. Isso porque o estilo da dissertação não era considerado a maneira mais “coerente” de escrever na opinião de Isaac (posso chamá-lo assim, não?). Transcrevo aqui um pequeno trecho de um artigo em que ele comenta o formato das apresentações científicas de doutorado:
“Eu temia um bocado esta parte, visto que o estilo obrigatório das dissertações é extremamente rebuscado e eu tinha, até aquele momento, passado nove anos tentando escrever bem; portanto, tinha medo de simplesmente não conseguir escrever mal o suficiente para ser aceito”.
Livro “O Futuro Começou (The Early Asimov)
Ed. Hemus – pg. 407
A grande questão é que Asimov quis publicar “algo” apenas para treinar. E o fez em forma de uma dissertação baseada em fatos falsos e totalmente incoerentes com a ciência real, mas seguindo normas de escrita estritamente científicas. Ela se chamou: “As propriedades endocrônicas da tiotimolina ressublimada“. Quando a tal dissertação de testes ficou pronta ele a levou ao seu editor – Campbell – e pediu que fosse publicada. Foi aceita imediatamente com uma ressalva de Asimov. Ele pediu a Campbell para não publicar com o seu nome real para não prejudicar a sua dissertação que deveria acontecer no dia 20 de maio de 1948.
Em meados de fevereiro de 1948 ele viu, já nas bancas, a revista com a sua história, PUBLICADA COM O SEU NOME REAL! O editor tinha se esquecido do pseudônimo e deixou Asimov com o coração na mão até o dia da sua apresentação. Nos dois meses que se passaram a revista (e o seu artigo) já era conhecida pelos laboratórios que química afora.
- Essa dissertação (a falsa) se encontra na
íntegra no mesmo livro que citei acima. –
Bom, ele fez sua apresentação para a banca, pisando em brasas e, no final, a última pergunta (feita pelo professor Ralph S. Halford) foi:
“Sr. Asimov, conte-nos alguma coisa a respeito das propriedades termodinâmicas do composto tiotimolina“.
Isaac caiu em gargalhada na hora, pois sabia que não iam fazer piadas caso ele fosse ser reprovado.
Depois de 20 minutos de espera fora da sala, ele foi chamado pelos professores e cumprimentaram-no: “Parabéns, Dr. Asimov”.
Vida e obra 10, Setembro, 2007
Posted by Lawrence in Biografia, Boas vindas.3 comments
Isaac Asimov é mais conhecido pelo seu livro “Eu, robô”, mas o que pouca gente sabe(menos que a maioria, infelizmente) é que ele era doutor em filosofia e mestre em bioquímica. Tem mais de 500 obras publicadas no mundo inteiro e incontáveis artigos para muitos jornais e revistas. É o único autor do mundo a ter livros em todas as 10 categorias do padrão dewey, ou seja, já escreveu sobre história, matemática, ficção científica, fantasia, astronomia, biologia, química e muitos outros temas, inclusive sobre a Bíblia.
Asimov, não era apenas um bom escritor. Ele está entre os três grandes da ficção científica, junto com Arthur C. Clarke e Robert Heinlein. Foi vice-presidente da Mensa (uma organização onde apenas pessoas com q.i. de gênio podem entrar) e era considerado por Carl Sagan o maior divulgador existente da ciência . Isso tudo sem falar que era um astrônomo por direito adquirido, tanto que escreveu muitos livros sobre o tema.
Neste site vou aos poucos demonstrar suas perpectivas para o futuro, seus estudos sobre a ciência da mente e da vida.
Um abraço.
Lawrence Lagerlof